sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Casamento na Índia!



Estamos agora na Índia em uma época de casamentos, em que casar-se nessa época do ano traz boa sorte para a união.
Para os indianos o casamento é muito importante, e todos devem casar-se na vida. A idade normal para o homem casar-se aqui é perto dos 30, e existem dois tipos de casamentos na Índia: casamento por amor (que significa casamento por motivos que nós consideramos normais no Ocidente, haha) e casamentos arranjados, em que a família do noivo escolhe para ele alguma mulher que ele deve passar o resto da vida junto. Ah, os casamentos arranjados correspondem a maioria dos casamentos indianos, mas quando se conhece as pessoas daqui isso parece bastante óbvio.
Nos casamentos arranjados podem acontecer umas coisas meio curiosas: o casal normalmente se conhece na cerimônia do casamento, mas as vezes as famílias deixam que eles entrem em contato com alguns meses de antecedência, para aliviar o nervosismo, deixar tudo mais natural e etc.



Divórcios

Divórcios são permitidos na Índia, mas não faz parte da cultura indiana se divorciar. Como normalmente as pessoas são passivas e tentam se ajustar, fazendo com que mesmo esse casamento arranjado, tão estranho para nossa cultura brasileira, resulte em casamentos felizes. Também, quando as mulheres se casam elas andam com uma linha vermelha pintada no centro da cabeça, que também pode significar um casamento feliz.
A linha vermelha chama-se Sindoor, e a mulher mostra com isso que deseja um longo casamento com seu atual marido.



O casamento e minha experiência com a cerimônia

O casamento hindu dura três dias (não sei se é assim somente na Índia, porque os casamentos muçulmanos duram 5 dias!), e cada dia ocorre em um local diferente, com suas diferenças.



O primeiro dia

No primeiro dia o noivo vai até a casa da noiva, para que o pai da noiva entregue sua filha a um outro homem. É nesse dia que ocorre toda a cerimônia do casamento, com todas as preces e tradições religiosas. Somente os membros das duas famílias e amigos da noiva estão presentes nessa cerimônia.
Não há festas nem nada semelhante a isso nesse primeiro dia, é realmente a religiosidade somente.
No final da noite o noivo passa a noite na casa da família da noiva.
Logicamente, tem uma coisa bem estranha que acontece nesse dia: antes do noivo entrar na casa da família da noiva a porta é deixada trancada e as amigas da noiva fazem um “pedágio” para ele entrar, ou seja, ele precisa dar uma quantia simbólica de dinheiro (coisa de 300 Rs, ou R$ 12,00). É uma tradição meio ridícula que mesmo os indianos riem quando comentam disso, haha.
Outra curiosidade é que quem paga tudo nesse dia é a família da noiva, e mesmo sem festa é o dia mais caro do casamento.



O segundo dia

No segundo dia o noivo leva a noiva para conhecer a sua família em sua casa. Não acontece nada demais nesse dia, somente que o casal passa a noite na casa dos pais do noivo, assim ele mostra sua nova esposa para a família.



Terceiro dia

Um colega casou-se no dia 21 de novembro, então fui chamado para participar do terceiro dia do casamento, dia 23. No terceiro dia do casamento é a celebração, quando acontecem as festas abertas para todo mundo, e normalmente mais de 500 pessoas comparecem. Como tudo na Índia, lotado.
Nesse dia há um jantar, e eu viajei 3hrs (só 87km!) para chegar ao salão onde o jantar foi preparado. Ainda vou fazer um post só sobre viagens e sobre o trânsito indiano, por isso não vou entrar em detalhes.
Chegando lá, já do lado de fora estava tudo decorado com luzes. Até um letreiro de Welcome estava lá.
A entrada do salão de festas. Ficava em cima de uma galeria de lojinhas.

Quando chegamos a primeira coisa foi parabenizar o novo casal. Os dois ficavam em um lugar especial para receber as pessoas, onde a noiva ficava sentada em um assento bem decorado.
Assim que chegamos, apesar dos dois compreenderem muito bem inglês, o correto é dizer "Namaste" ao encontrar o casal, juntando as mãos a frente do corpo e se inclinando levemente.
"Namaste" é como um "olá", mas é algo respeitoso.

O assento da noiva fica em um local especial para isso. Ah, para esse evento eu comprei um Punjabi Kurta masculino.

Foi uma noite bem simples na verdade. Nós chegamos, cumprimentamos a família do noivo, o casal, comemos e fomos embora. Basicamente foi isso.
Ah, nessa noite quem paga tudo é a família do noivo...
A comida da Índia merece uma meia dúzia de posts especialmente destinada a esse assunto, mas vou resumir dizendo que a comida foi muito boa, com arroz, peixe, carneiro e muitos doces de sobremesa. Bom demais.

Também há lua-de-mel para a religião hindu, mas como eles não são íntimos (se conhecem a poucas semanas) eles resolveram que viajarão somente no fim do ano, não logo após os três dias de casamento.


Todos meus colegas da companhia que foram no casamento.



sábado, 29 de outubro de 2011

Hare Krishna!

Hare Krishna
Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama
Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

Durante um final de semana era isso que ouvíamos o dia e a noite inteira. Pessoas entoando o maha-mantra (Grande Canto para a Libertação) incessantemente, na busca de se aproximar do deus Krishna.

A convite de um colega do Chris (alemão que mora comigo) quatro gringos passaram um final de semana na sede internacional da ISKCON (International Society for Krishna Consciousness), em Mayapur. Os malucos dispostos a essa viagem eram Chris (Alemanha), Mario (Alemanha), Erick (Brasil) e eu.
O complexo fica a poucas horas de viagem de Kolkata, onde gastamos cerca de 20 rúpias (R$0,71) cada, de trem.
Não tinha conforto algum, ficamos cerca de duas horas e meia de pé, sempre muito apertados (Índia né, fazer o que...).

Abaixo uma foto da viagem de trem

Antes de chegar a Mayapur passamos uma noite na casa do amigo do Chris, que fica numa pequena vila.
Exatamente como uma cidade pequena no Brasil, sem nada para se fazer mas com muita tranquilidade, bem diferente da movimentada Kolkata. Foi um ótimo começo de viagem.

Às 4 da manhã seguinte acordamos e pegamos mais duas horas de trem até Mayapur. É uma outra vila, muito simples e também sem nada demais, que só existe porque é uma passagem do continente até a ilha Dep (Gota), onde fica o centro da ISKCON.

Para se chegar até a ilha tivemos que pegar um barco até a ilha: 2 rúpias (R$0,07) por pessoa.

Abaixo segue uma foto do barco

Ok. Depois dessa viagem toda chegamos finalmente ao centro ISKCON.
Segue abaixo a entrada do lugar.


Lá arrumamos nosso quarto, tomamos banho e fomos primeiramente ao templo dedicado a Abhay Charanaravinda Bhaktivedanta Swami Prabhupada (ou simplesmente Prabhupada), que foi o fundador e maior disseminador do movimento Hare Krishna no mundo. É um templo lindo, com uma abóbada gigantesca com um mosaico muito detalhado. Também há uma explicação sobre a vida e o trabalho de Prabhupada.
Uma pena que fotos são proibidas, então fica na memória de quem foi lá.

Depois fomos almoçar.
Comer na Índia é sempre uma história a parte, mas vou resumir como funcionam as coisas dentro de ISKCON: custa 50 rúpias (R$1,74) por refeição, você senta no chão e come com as mãos. Os devotos passam servindo comida numa velocidade absurda, pois sempre são centenas de pessoas para serem servidas. Eles só param de servir quando pedir. Ah, vale lembrar que a comida é bem apimentada, mas muito boa, mesmo sendo para várias pessoas.

Não pudemos deixar de tirar uma foto do refeitório.

Eram uns cinco corredores desse, só para se ter uma idéia.

Depois da boa comida, o amigo do Chris nos chamou para um passeio de barco (30 rúpias ou R$1,04), onde iríamos fazer orações para o rio Ganges.
A ligação entre os adeptos ao movimento Hare Krishna e a água é muito forte; a deidade Vixnu tem forte ligação com a água e Krishna é uma das dez incarnações de Vixnu.
Lá conhecemos uma família de búlgaros, que se mudaram para ISKCON e estava planejando ficar por lá um ano, como devotos e fazendo serviços dentro do complexo.
A família era composta pelo casal e dois filhos pequenos, todos devotos a Krishna.
Assim que partimos o casal começou a entoar o mantra enquanto utilizavam de instrumentos de percussão, como um tambor e pequenos pratos. O barco parou no meio do rio e então fizemos as oferendas ao rio, jogando flores.

Seguem abaixo algumas fotos do rio e do barco
É, o por do sol no rio, indescritível.

Foto dentro do barco, enquanto os búlgaros cantavam o maha-mantra.

Tivemos direito a uma pequena surpresa ainda no barco, mas não vou postar no blog, haha.

Quando voltamos haviam alguns europeus (o complexo ISKCON possui tanto indianos quanto europeus) tocando e dançando na entrada do templo:


Quando voltamos, fomos descansar nos quartos e se preparar para as orações no templo principal.
Não vou entrar em detalhes porque não podíamos levar nada para lá, mas posso dizer que as os devotos entram em um tipo de êxtase, cantando o mantra e dançando com grande entusiasmo.

Na segunda-feira cedo, no início do Durga Puja em Kolkata, encaramos mais quatro horas de trem e voltamos para Kolkata.

Assim termina o fim de semana em Mayapur.
Logo mais postarei sobre Diwali, o festival das luzes, o qual é o maior festival da Índia.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Durga Puja!

Hoje resolvi postar sobre o maior festival de Kolkata, o Durga Puja!

Como turista foi uma loucura, Kolkata já tem muita gente, mas durante o Durga Puja vem gente do país inteiro por causa do festival.

A história é a seguinte:
Durga Puja é um festival celebrado pela religião Hindu, que é muito importante para a sociedade Bengali ( que fica principalmente no estado de West Bengal.) Como a capital do estado é Kolkata a cidade fica super movimentada durante o festival. A prepação é de meses antes. Os indianos dizem que é como o carnaval do Rio, mas isso porque eles nunca foram para o Brasil, haha.

São instalados milhares de pandals por toda a cidade, bloqueando pequenas ruas, fazendo filas de 3 ou 4 horas só para ver os pandals por dentro.
Pandal é uma construção temporária para o festival (como um templo), feito para decorar e celebrar o festival. Antigamente era só um templo temporário, mas hoje há uma competição, com um premio de 500mil rúpias (R$17000,00 mais ou menos). Isso faz com que sejam criados pandals gigantescos e muito bem trabalhados.

A parte religiosa da história
São cinco dias de festival, com a cidade parada nos primeiros quatro dias. No quinto dia as estátuas feitas para o festival são jogadas no Ganges. É interessante que eles fazem as estátuas de materiais bio degradáveis,  ganhando reconhecimento internacional pela consciência ambiental.
Durga Puja comemora a chegada da deusa Durga com seus filhos para a casa de seus pais, depois voltando para se encontrar com o deus Shiva no Dashami. Também é o festival que celebra a vitória do bem (Durga) sobre o mal (Mahishasur, o demônio).
As estátuas encontradas nos pandals são de Ganesh, Kartrick, Jaya e Bijaya e da deusa Durga no centro.
Também as vezes há da deusa Shiva (a explicação disso é uma zona e se alguém tiver interesse pesquise mais a fundo).

Agora, as fotos do festival com o pandal vencedor de 2011.
O pandal vencedor desse ano.

Mesmo lugar, mas a noite...

Durga, Ganesh, Kartrick, Jaya e Bijaya.

Shiva, dançando a dança que destruiria o universo.

Quando der vou postando mais coisas.

sábado, 15 de outubro de 2011

Começando....

Índia.
Agora bate mais ou menos um mês aqui, ainda não deu para se acostumar totalmente não.
O trânsito loucura, as pessoas que não falam minha língua, centenas de lojinhas nas ruas vendendo de tudo, cheio de gente muito pobre pedindo dinheiro.
Músicas estranhas o tempo todo nas ruas. Comidas super apimentadas, vegetarianas e estranhas o tempo todo.
Andar de onibus, metros lotados ou auto-rickshaws com motoristas completamente insanos.

Isso é a Índia. Uma mistura de tudo, feito de uma forma que só indiano mesmo compreende.
Com um olhar mais apurado você vê que todos estão sempre sorrindo, as pessoas falando alto riem o tempo todo, as comidas estranhas na verdade são maravilhosas.

Nesse blog eu decidi postar o que eu estou fazendo aqui, viajando, conhecendo lugares, etc.
Ao mesmo tempo vou postando algumas curiosidades da cultura indiana e da minha cidade, Kolkata.
Sempre que der vou colocar fotos e videos também.

Primeira foto, logicamente das ruas mais loucas que eu já vi:



Ah, tem dois intercambistas aí. Dois alemães, haha.